Após um forte crescimento durante os anos de 2020 e 2021, impulsionado pela pandemia de Covid-19, o mercado brasileiro de pavilhões e condomínios logísticos enfrentou desafios para manter seu progresso nos anos seguintes. Isso incluiu o aumento real dos valores de aluguel, manutenção de uma taxa de vacância controlada e adaptação da cadeia de suprimentos às demandas dos consumidores, enfrentando novos desafios operacionais.
As dúvidas surgiram devido ao aumento significativo na ocupação de espaços de Classe A+ durante os primeiros dois anos da pandemia, sendo 45% maior do que em 2019, conforme dados da Buildings. Essas dúvidas foram agravadas pela fraca performance e devolução de espaços por parte do segmento varejista, historicamente um dos principais usuários de pavilhões no Brasil.
No final de 2023, confirmou-se que a tendência positiva continuou, com taxas de absorção semelhantes aos anos anteriores e uma baixa taxa de vacância de apenas 9,0% para imóveis de alta qualidade. Este foi o menor índice registrado no fechamento de um ano desde o início dos registros em 2013, de acordo com dados da Buildings.
Uma das razões para o mercado continuar aquecido é o fenômeno chamado “flight to quality”, no qual os ocupantes substituem instalações antigas por empreendimentos mais modernos e eficientes. Em 2013, apenas cerca de 56% do estoque consistia em ativos de Classe A+, enquanto atualmente esse número subiu para 70%.
Impulsionado pelo cenário positivo do setor, o país registrou um aumento médio de mais de 6% nos preços de aluguel. Os mercados que mais se destacaram foram aqueles que antes tinham estoque de qualidade inferior e agora contam com opções melhores, como nas regiões Sul e Nordeste, além de áreas que enfrentavam alta taxa de vacância recente e tendência de queda, como no Rio de Janeiro.
Para compreender a tendência, é importante considerar o estado de São Paulo, o principal mercado industrial e logístico do Brasil, representando mais de 50% do estoque nacional. A solidez desse mercado minimiza distorções nos dados, e os números continuam positivos. São Paulo registrou aumento nos preços e a terceira maior redução percentual na taxa de vacância do país ao final de 2023.
Para 2024, espera-se que o surgimento de novas tecnologias e investimentos em infraestrutura afetem a demanda por galpões logísticos. Além disso, os altos custos de construção e financiamento, que já reduziram em cerca de 38% o volume de novos espaços entregues em 2023, devem intensificar a competição por espaços. Isso provavelmente resultará em um novo aumento real nos alugueis e na busca por outro recorde positivo na redução da taxa de vacância em todo o país. Ou seja, se você está em busca de um pavilhão para o seu negócio, melhor já garantir o seu.